Flânerie

O conceito de flânerie surgiu com Charles Pierre Baudelaire (1821-1867) um poeta boémio e teórico da arte francesa. O flâneur de Baudelaire era alguém que deambulava sem destino pelas ruas e galerias da capital francesa do século XIX.

Existem variadas interpretações relativas ao conceito de flâneur criado por Baudelaire.

Christopher Butler (1902-1986), professor de Literatura inglesa na Universidade de Oxford  sugere que o flâneur procura encontrar uma forma de transcendência.

the city’s modernity is most particularly defined for him by the activities of the flâneur observer, whose aim is to derive “léternel du transitoire” and to see the “poétique dans l’histoire”

 Christopher Butler, Early Modernism: Literatura, Music and Painting in Europe 1900-1916

Benjamin e a flânerie no século XIX

O século XIX caracteriza uma era de renovações urbanas, associadas ao desenvolvimento tecnológico, meios de produção, revolução dos transportes e industrial, aparecimento da máquina a vapor, bem como nos modos de vida nestas cidades industrializadas.

Walter Benjamin (1892-1940), crítico literário, filósofo, tradutor e sociólogo alemão retoma na sua obra The Arcades Project o conceito de flâneur. Nesta obra é reconhecida a ousadia dos projetos urbanísticos da capital francesa, sobretudo no que diz respeito às grandes galerias da cidade, vistas como um mundo em ponto pequeno.

“A flânerie dificilmente poderia ter-se desenvolvido em toda a plenitude sem as galerias.”

Walter Benjamin

As galerias eram passagens cobertas de vidro e revestidas por mármore que dispunham de espaços variados e interligados como lojas, cafés, restaurantes, livrarias, entre outros. No seu livro Paris, a Capital do século XIX, Walter Benjamin relata o seu aparecimento como cenário das primeiras iluminações a gás e materialização dos primórdios da construção com ferro, além disso, resultante também do desenvolvimento da indústria têxtil.

“As galerias são centros comerciais de mercadorias de luxo. Na sua decoração, a arte põe-se ao serviço do comerciante. Os contemporâneos não se cansam de admirá-las.”

“Estas galerias são uma nova invenção do luxo industrial, são vias cobertas de vidro e com o piso de mármore, passando por blocos de prédios, cujos proprietários se reuniram para tais especulações. Dos dois lados dessas ruas, cuja iluminação vem do alto, exibem-se as lojas mais elegantes, de modo tal que uma dessas passagens é uma cidade em miniatura, é até mesmo um mundo em miniatura”.

Um guía ilustrado de Paris em Paris, a Capital do século XIX

Relativamente aos novos hábitos e costumes urbanos, Walter Benjamin descreve a metrópole francesa através de um novo olhar pela cidade, através da figura do flâneur, que percorria livremente a cidade e as suas galerias. Podemos considerar como atrações desta figura: experiências dos lugares, símbolos da vida urbana, o consumo, o movimento e a multidão.

Bibliografia

BENJAMIN, Walter. Paris, a Capital do século XIX

https://teoriadoespacourbano.files.wordpress.com/2013/03/benjamin-w-paris-capital-do-sc3a9culo-xix-trad-kothe.pdf

Webgrafia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Baudelaire

http://www.goodreads.com/author/show/42309.Christopher_Butler

https://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Benjamin

http://psychogeographicreview.com/baudelaire-benjamin-and-the-birth-of-the-flaneur/

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Man_of_the_Crowd

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